Shiro renova a coquetelaria japonesa de alto padrão no Jardim Paulista

Shiro renova a coquetelaria japonesa de alto padrão no Jardim Paulista

Discreto por fora e preciso no copo, o Shiro entra numa nova fase da sua coquetelaria japonesa em São Paulo. No piso superior do restaurante Kuro, o bar trabalha com poucos lugares, reserva obrigatória e uma carta que aposta em técnica, ingredientes asiáticos e preços que já colocam parte do menu na faixa mais alta da cidade.

A casa funciona desde 2023 e mantém uma relação curiosa com o restaurante de baixo: em japonês, kuro significa preto e shiro, branco. A oposição dos nomes chama atenção, mas a operação não segue em lados contrários. O que se vê ali é uma extensão de proposta, com o mesmo recorte de inspiração nipônica, só que em formato mais íntimo e voltado ao balcão.

Uma bartender que transitou entre Itália e Ásia

A mudança de fase tem a mão de Michelly “Mia” Rossi, que em abril já havia mostrado versatilidade ao lançar drinques italianos no Caffè AnarCord, do mesmo grupo. Antes disso, ela também mergulhou nos ingredientes asiáticos em consultorias realizadas em casas como o Hirá Izakaya. A experiência aparece na maneira como o cardápio do Shiro combina frescor, textura e camadas de sabor sem exagero visual.

Entre os destaques está o henkay haiboru (R$ 197,00), um dos coquetéis mais caros da cidade e integrante da categoria dos highballs. A receita reúne uísque japonês Yamazaki 12 Anos, toque de mescal, bitter umami e club soda. O resultado é leve no primeiro gole, mas com aquela profundidade que costuma separar um drinque apenas correto de um copo que fica na memória.

Na prática, o Shiro trabalha esse contraste com segurança: bebida refrescante, mas com construção cuidadosa; perfil elegante, mas sem perder o jogo de sabores. É uma combinação que conversa com a ideia de bar intimista, em vez de casa de volume alto ou carta gigantesca.

Pequeno no espaço, alto na exigência

O serviço também ajuda a explicar o clima de exclusividade. O bar atende só três clientes no balcão e cinco no sofá. Para entrar nessa roda pequena, é preciso fazer reserva e adiantar parte da conta: R$ 100,00 no caso do Shiro. Não é um detalhe menor; esse tipo de regra muda a dinâmica da visita e já avisa que a experiência foi desenhada para poucos.

Na taça, o usu sakura (R$ 63,00) segue uma linha mais floral e levemente salgada, unindo vodca, saquê, cordial de ameixa fresca e bitter de flor de cerejeira. É um drinque de perfil mais acessível que o highball mais caro da casa, mas ainda dentro da mesma lógica de precisão e delicadeza.

Para acompanhar, os petiscos mantêm o nível. O futomaki, sushi enrolado de atum, sai por R$ 105,00 e reforça a proposta de um bar que não trata a comida como simples apoio, mas como parte central da experiência. Em um espaço pequeno, cada item pesa mais — e ali isso parece calculado com cuidado.

O Shiro não tenta ser barulho. Prefere a escala reduzida, a reserva antecipada e uma carta que valoriza ingredientes japoneses e referências asiáticas em versões sofisticadas. Em vez de ampliar o serviço, a casa aprofunda a proposta, e é justamente nesse controle de espaço e de sabor que está o seu novo momento.

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