Pirajá entra na campanha para ajudar o Café Lamas a reabrir após incêndio

O grupo paulista Pirajá, conhecido pelos bares e pela pizzaria Bràz, decidiu colocar sua estrutura a serviço de uma causa que mexe com a memória boêmia do Rio: ajudar o centenário Café Lamas a reabrir depois do incêndio que danificou suas instalações.
A movimentação ganhou força porque o Lamas não é só uma casa tradicional; ele virou um símbolo afetivo para muita gente e, após o episódio, uma vaquinha virtual foi organizada para bancar as obras de recuperação do imóvel e também o salário dos funcionários. A resposta tem sido de comoção, e a ideia agora é ampliar essa rede de apoio com uma ponte entre Rio e São Paulo.
Como o Pirajá quer entrar nessa história
Segundo Ricardo Garrido, um dos sócios do grupo, a intenção é usar a força das redes sociais do Pirajá para dar mais alcance à campanha. Só o Bar Pirajá reúne 116 mil seguidores, um número que pode ajudar a jogar luz sobre a vaquinha e atrair novas contribuições.
Entre as possibilidades citadas está a venda de algum prato ou petisco em todas as 15 unidades do Pirajá, com parte da mobilização direcionada para o apoio ao Lamas. A lógica é simples de boteco: juntar muita gente em torno de uma causa que tem valor simbólico e prático ao mesmo tempo.
A ponte carioca tem a mão de Moacyr Luz
Essa articulação entre as duas cidades passou pelo sambista e boêmio Moacyr Luz, descrito como o responsável por costurar a ponte solidária. O nome dele ajuda a explicar por que a iniciativa ganhou ressonância no ambiente da boemia carioca, onde credibilidade conta quase tanto quanto a boa mesa.
Do lado do Rio, o grupo também mantém unidades da pizzaria Bràz, que funciona há 19 anos em solo carioca e tem como sócio local o chef Eduardo Cunha. Esse detalhe reforça a presença do grupo no mercado carioca e ajuda a entender por que o movimento não soa como uma ação distante, mas como um gesto que atravessa as duas praças.
O peso simbólico do Café Lamas
Para Guilherme Studart, estudioso de botecos e bares cariocas e autor de livros e guias sobre o tema, a proposta parece bem-vinda. Ele destaca a credibilidade de Moacyr Luz no meio da boemia e lembra que o Lamas não é apenas patrimônio carioca: é do país.
Esse é justamente o ponto que dá força à campanha. O Café Lamas carrega décadas de história, cardápio conhecido e uma imagem muito ligada à tradição do Flamengo. No material divulgado, ele aparece como uma casa de cozinha honesta, com referências clássicas como ternos brancos, gravatas e bandejas, um retrato de um tipo de restaurante que vai desaparecendo aos poucos das grandes cidades.
O que está em jogo agora é transformar solidariedade em obra, e obra em reabertura. O Pirajá quer ajudar usando aquilo que sabe fazer melhor: mobilizar gente em torno do bar, da mesa e da memória. No centro dessa corrente, o Café Lamas segue tentando voltar a funcionar depois do incêndio que comprometeu suas instalações.

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