Do ‘Casablanca’ aos bares paulistanos: o piano-bar voltou a ganhar espaço na coquetelaria

Do ‘Casablanca’ aos bares paulistanos: o piano-bar voltou a ganhar espaço na coquetelaria

O piano-bar saiu do papel de cenário de cinema e voltou a ganhar espaço em casas de São Paulo. No Picco, ele ficou presente semanalmente por quase dez anos, tocado por pianistas convidados, e virou parte da identidade do lugar.

“Ao longo desses quase dez anos, ele esteve presente semanalmente, tocado por inúmeros pianistas convidados, e acabou se tornando um personagem do Picco. A relação da casa com a música é tão forte que, em 2021, lançamos o Selo Vitrine, dedicado a dar visibilidade e registrar o trabalho autoral de músicos que fazem parte da nossa cena. Para nós, o piano representa um pouco disso: ele cria uma atmosfera, aproxima as pessoas e estabelece uma conexão muito orgânica entre quem está tocando, quem está trabalhando e quem está vivendo o bar”, completou.

Já no Bar do Terraço, no Terraço Itália, a estrela é um piano de cauda August Förster, marca alemã de prestígio que produz cerca de 110 a 120 instrumentos por ano, todos feitos à mão por mestres artesãos ao longo de meses. A marca foi preferida por compositores como Richard Strauss e Giacomo Puccini.

Um instrumento que virou símbolo de luxo

A presença do piano em bares ganhou força a partir dos anos 1930, quando passou a marcar os grandes bares de hotel do mundo. Nomes como Bemelmans Bar, em Nova York, American Bar, no The Savoy, em Londres, e New York Bar, no Park Hyatt Tokyo, ajudaram a fixar a imagem do piano-bar como sinônimo de elegância.

Bruno Pegorer, gerente-geral do Terraço Itália, resumiu o papel do instrumento no espaço: “Trata-se de uma peça emblemática que atravessa gerações. Mais do que um elemento decorativo, o instrumento ocupa um papel central na experiência do espaço. A música ao vivo traz elegância e personalidade ao ambiente. Sua presença reforça a tradição, a história e a identidade do Bar do Terraço, conectando o passado do espaço à experiência oferecida aos visitantes até hoje”.

Dos saloons à Lei Seca

A origem do piano em bares remete aos saloons do Velho Oeste, frequentemente lembrados no cinema. Depois, durante a Lei Seca, os speakeasies ajudaram a popularizar o formato: a música mais acústica e contida combinava com os bares clandestinos e não chamava tanta atenção.

Hoje, a volta do piano-bar em casas paulistanas conversa com essa tradição antiga, mas com outra função: criar atmosfera, aproximar as pessoas e dar ao bar uma assinatura própria.

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