Bares de vinho crescem em São Paulo e mudam a forma de beber na cidade

São Paulo vive um boom de bares de vinho que tirou a bebida da formalidade e levou a taça para um terreno mais casual, com hospitalidade afiada, curadoria caprichada e foco em consumo por dose.
A nova leva de casas cresceu junto com a diversidade de rótulos que chegam ao Brasil e com a abertura do público para vinhos nacionais. No Bardega, pioneiro da geração atual, Rafael Ilan diz que o bar saiu de grandes importadoras e hoje trabalha com 29 parceiros, oferecendo 96 opções em taça.
Taça no centro, garrafa inteira em segundo plano
Em vários endereços, a lógica mudou. A carta formal nem sempre aparece, e a seleção pode variar semanalmente, como na Sede261, com garrafas em diferentes tipos e faixas de preço.
No Plou, em Vila Madalena, Analu Torres conta que cerca de 25 rótulos são escolhidos por noite para serviço em dose, dentro de um acervo de cerca de 500 garrafas, metade delas francesas. A casa, aberta em agosto de 2024, venceu o prêmio VEJA SÃO PAULO COMER & BEBER 2025 de Melhor Bar de Vinhos.
O público quer diversidade, não só volume
A linguagem também ficou mais simples. No Gnomo, Paty Werneck usa comparações diretas para falar dos vinhos, enquanto o Lita, de Tássia Magalhães, atrai clientes jovens e dispensa o clima de intimidação típico de muitos balcões.
Segundo Tássia, frequentar um wine bar virou também um exercício de aprendizado, com espaço para provar, perguntar e descobrir rótulos novos. A empresária afirma: “Além do consumo, aumentou muito a busca por conhecimento sobre vinho.”
Esse movimento acompanha referências de cidades como Nova York, Londres e Paris. Leandro Mattiuz, do Elevado Bar, diz que a dinâmica em São Paulo se aproxima da vista nesses centros, onde o vinho ganha espaço mesmo em lugares de forte cultura cervejeira.
Importadoras, vinho natural e uma nova clientela
O avanço dos wine bars também estimulou importadoras a investir no formato. A La Pastina abriu um wine bar dentro da Casa La Pastina, nos Jardins, com a ideia de aproximar o público da enogastronomia de forma descontraída e acessível.
Outro motor desse boom é o interesse pelos vinhos naturais, que aparecem com força em casas como o Plou e ajudam a ampliar a curiosidade do público. O resultado é um cenário em que sorver uma ou duas taças com pequenos pratos já faz parte da rotina de muita gente na cidade.
Ao mesmo tempo, os donos dos bares ainda lidam com dólar alto e falta de mão de obra especializada. Rafael Ilan, do Bardega, alerta que casas sem estrutura podem prejudicar o setor ao abrir com preços mal calculados e pouca preparação para crises.
Mesmo com esses obstáculos, o vinho voltou a ocupar espaço também nos restaurantes, agora em uma nova roupagem. Em São Paulo, a bebida deixou de ser ritual de ocasião e passou a ser programa.

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