Wine Bar da Casa La Pastina reúne 200 rótulos e amplia a seleção com vinhos de 15 países

Com 200 rótulos na carta, o novo Wine Bar da Casa La Pastina nasce com uma proposta pouco comum: ajudar o visitante a circular pelo universo do vinho sem perder a diversidade pelo caminho. A seleção é menor do que os 500 rótulos disponíveis na casa, mas funciona como uma curadoria dentro da curadoria, com vinhos de 15 países e regiões muito diferentes entre si.
A ideia não é simplificar demais. É filtrar sem empobrecer. Em vez de uma lista interminável, a carta organiza nomes que vão de clássicos já conhecidos por quem bebe há mais tempo até garrafas que fogem totalmente do roteiro habitual. O espaço, na Oscar Freire, também foi pensado como uma vitrine para a rua, com os vinhos ganhando uma presença própria no ambiente.
Do Muscadet ao Jura: a carta não trata o vinho como território previsível
Entre os rótulos citados, há escolhas que chamam atenção justamente por contrariar rótulos fáceis. O Domaine du Haut Bourg Muscadet 2014 Sur Lie é descrito como uma raridade, por ser um branco com mais de dez anos em garrafa e por entregar uma mineralidade que escapa da imagem de simplicidade associada ao Muscadet.
Na mesma linha de desvio do óbvio, aparece o Jérôme Arnoux Savagnin, do Jura, pensado para quem quer sair do convencional. Já o Le Puy “Emilien”, Bordeaux natural da Famille Amoreau com presença desde 1610, é tratado como um dos vinhos mais singulares do mundo e está disponível em taça.
Clássicos convivem com rótulos que apontam para o futuro
O bar também não abre mão de nomes tradicionais. Um exemplo é o espanhol Marqués de Murrieta Castillo Ygay Gran Reserva Especial 2011, usado como referência de produtor que não faz concessões ao tempo. A lógica, porém, não fica presa ao passado: a carta também inclui o Los Parientes Pinot Noir, de Francisco Baettig, em Malleco, apontado como representante do futuro da viticultura chilena.
Essa convivência entre estilos ajuda a explicar o desenho da seleção. Em vez de apostar só em assinaturas consagradas, a casa coloca lado a lado vinhos de leitura mais imediata e outros que pedem mais atenção do cliente. Para quem já conhece a bebida, isso abre espaço para descoberta. Para quem está começando, reduz a sensação de estar diante de uma carta sem mapa.
Brasil entra por mérito, não por bandeira
O Brasil também aparece na carta, mas sem tratamento protocolar. A própria seleção, segundo João Renato, não está ali por patriotismo. Está por convicção. Dois exemplos citados são o espumante Extra Brut de Sacramentos Sabina, feito com Pinot Noir, Chenin Blanc e Chardonnay, e o Entre Serras, blend de Syrah das serras da Canastra e da Mantiqueira.
Os dois entram pelo perfil, não pela origem. É um detalhe importante num momento em que cartas de vinho costumam oscilar entre o excesso de nomes conhecidos e a busca apressada por exotismo. Aqui, a aposta parece ser outra: mostrar que o Brasil também pode ocupar um lugar de coerência dentro de uma seleção internacional.
No fim, a força do Wine Bar da Casa La Pastina está menos no volume e mais na forma como os 200 rótulos foram organizados. Entre 15 países, produtores consagrados e nomes fora do circuito mais óbvio, a carta oferece um recorte que vai do raro ao clássico sem tratar nenhum deles como figurante.

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